Archive | July, 2013

Emoção Unissex

26 Jul

LELOVEBLOGROMANCEROMANTICLOVEPHOTOSLOVEPICSGIRLALONEONTHEBEACHSEASIDELOVEQUOTEICRAVEALOVESODEEPTHEOCEANWOULDBEJEALOUS_zps7e89b365

Ela apareceu na minha vida pra que eu acreditasse que o que veio antes era só um presságio de felicidade. Eu lutei contra o que sentia por ela porque me fizeram acreditar que de bom eu não merecia nada. Agora está tudo turvo de novo.

A minha loucura tão sempre lembrada por ela em qualquer oportunidade me faz pensar que a culpa da eterna não felicidade é minha, que a minha vida nunca vai andar por linhas comuns, calmas, não febris. Me faz acreditar que felicidade e tranquilidade não ocupam a mesma caixa dentro de mim.

Mas vai ver é isso mesmo, eu não sou comum. Ela diz que eu falo alto, muito alto pras normas de etiqueta que eu não poderia dar menos importância para – tão diferente dela. Mas a verdade é que a minha frustração grita muito mais alto que o conformismo que eu vivo tentando, mas não consigo. Todo mundo acha que ela é tão boazinha, e eu tenho um problema muito sério: eu não consigo não dividir tudo o que eu sinto e penso com a pessoa com quem resolvi dividir a vida. Acaba que, como sempre, ela sabe muito mais de mim do eu dela, e a minha auto-desvantagem faz com que a minha vulnerabilidade seja usada quase que inevitavelmente contra mim.

Ela sempre fala de controle. Fala como se, na vida, qualquer situação ou emoção pudessem mesmo ser controladas. Ela fala em “levar” as coisas, em aceitar o mundo e as pessoas como elas são, em não perseguir mudanças e vitórias. Fala desse jeito que me deixa tão confuso, e me deixa com raiva de que alguém como ela me faça me questionar o mundo.

Minha pergunta agora é para o meu eu do passado, que achou que seria suficiente pra mim uma vida de conformidade. Eu, que sempre vivi de ser inconformado.

Meu cérebro dói. Doem minhas mãos, os meus braços, meus olhos, minhas pernas, doem os meus pés. Os dela parecem não sentir nada enquanto pisam de salto em tudo o que sobrou de mim nesse chão. A coisa mais louca de uma loucura é dia após dia tentar convencer à si mesmo que uma relação falida, da noite pro dia, vai se salvar.

– Ele te disse tudo isso?

– O lance é estar ou não na fase da vida onde você está, de verdade, pronta pra dividir a sua com alguém. A gente cresceu numa sociedade onde mulher teve que provar tanta coisa pra ser igual aos homens, que de uma certa maneira, a gente ficou igual à eles. Egoísta emocionalmente e com medo de uma relação monótona porque, pela primeira vez na vida, mulheres têm um certo direito à variedade sexual sem discriminação. Talvez agora a gente entenda porquê homens traem. Porque sim, quando você pode, tem tanta tentação por aí. Mas é aquilo lá de novo, a sedução dura algumas semanas, e só dura isso também o frio na barriga. Amor não, amor é diferente. Lembra da música da Rita Lee?

– Não. Acho Rita Lee muito amor livre pro meu gosto.

– E eu acho que você tem que decidir qual é o tipo de amor que você gosta.

Todo mundo sofre, independente do gênero. Todo mundo pode ser um grande filho da puta, independente também, do sexo que carrega no meio das pernas. As pessoas teimam, cismam, forçam amores que são só delas, mas que elas preferem acreditar dividir com aquela pessoa com quem estão, temporariamente, dividindo fluidos numa cama.

A gente passa a vida atrás do amor, procurando tão cegamente que, muitas vezes não percebe que perder anos ao lado de alguém que não nos ama de volta, só tirou esses anos da conta de alguém que poderia ter amado. Não tem jogo dos sexos; inteligência emocional (ou falta de) é meramente humano.

Rani Ghazzaoui