Archive | December, 2009

Porque só pode ser a Lei de Murphy

16 Dec

Bom… não adianta nada, absolutamente, eu tentar dizer pra mim mesma que sei viver sozinha e que não sou mais a menina carente de ontem. Que vou acordar linda, leve e cheia de expectativas que não envolvam uma segunda pessoa, e que, por isso, não vão ser expectativas transformadas em fatos.

Mas eu estou aqui…aqui toda estática e, sim, sozinha como sempre. O engraçado é que, dessa vez, não me sinto mal. Sinto atmosferas diferentes,ares que nunca respirei. É estranho porque há um frescor em mim que não cabe na situação. Eu devia estar desesperada, cambaleante e altista atrás daquele amor que eu sempre idealizei q que nunca chegou. Eu devia chorar as minhas lágrimas diárias para me remeter ao meu estado de espírito rebaixado. Eu devia balançar a cabeça e me sentir coitada só para não perder o costume.

Eu devia…mas não é isso que ando fazendo. Ando sendo a menina que já não vê graça em relacionamentos passageiros, que não tem mais paciência para tantos fuckin’ friends. Sou a menina que ocupa a cabeça com outras coisas pra não lembrar de relacionamentos falidos de novo, e o pior, de tentar ressuscitá-los.

Parece bom ao se ouvir não? Sim, parece, porque falando tudo isso de uma forma tão sutil, fria e madura, até consigo passar a falsa impressão de que já estou emancipada… mas é mentira.

É, às vezes eu costumo mentir. Minto pra todos eles… os meus sentimentos. E engano os outros… os meus sentidos. É…eu sou louca, eu sei.

Fecho meus olhos porque não quero enxergar que ainda estou sozinha. E abro a minha cabeça para o mundo, me fingindo de moderna, me fazendo de garota cool que não liga de ir tomar um capuccino sozinha numa sexta feira à noite.

Ai de mim que idealizo romances…ai de mim que crio falsa expectativas sobre o futuro…ai de mim que ainda sonho, infelizmente, com todas as baboseiras bonitas e com a casa de cerquinhas brancas.
Rani Ghazzaoui

Advertisements

Muita luz e maquiagem para ofuscar a falta de cor do coração estagnado

16 Dec

Escrevo por desespero, mas também por comodidade. Escrevo porque palavras grafadas são tão mais fáceis de serem expelidas quando as comparamos com aquelas que temos que falar. Dez dedos nas mãos, e apenas uma boca no rosto. Emudeço as palavras da realidade para desenvolver a caligrafia que tenta explicar o porquê de tantas peculiaridades nessa minha mente tão instável.

Não adianta conversar porque a conversa sempre acaba na mesma coisa, no lugar comum, no mesmo ciclo em que caio sempre e não consigo sair. Não adianta eu falar de amor com quem não tem propriedade nenhuma do assunto, com quem acredita que amor seja sinônimo de posse, com quem não sabe se entregar. Não adianta insistir em relacionamentos falidos, menos ainda investir em outros, namorar por namorar, e depois falir esses outros relacionamentos também.

Na dúvida do que fazer, acabei me estagnando no meio da encruzilhada. Olhando desesperada com medo de ser atropelada de novo; mas olhando paralítica, imóvel, estática…de medo e de preguiça. Sim, preguiça.
Falta de vontade de me arriscar atravessando a estrada de novo, com medo de me arrepender mais uma vez ao chegar do outro lado da rua. Medo de ser abandonada de novo; não há nada no mundo que me amedronte mais do que a solidão.

Entretanto tudo não passa de um grande paradoxo. Paradoxo porque já estou só. Não adianta fingir naturalidade, já não sou mais a menina natural. Escondendo-me atrás de sorrisos e pancake sem saber pra quem sorrio. Não adianta tentar mais uma vez, eu já sei como vai ser o final de tudo isso.

Não adianta falar pra você ficar, porque nem mesmo eu sei se quero que você realmente fique.
Rani Ghazzaoui

Para marcar o fim de uma breve felicidade

16 Dec

“Todo carnaval tem seu fim. E é o fim, e é o fim…” – Los Hermanos

Mais uma história que acontece nas esquinas dos meus sentimentos.Mais uma daquelas que eu cheguei a acreditar que podia dobrar as dificuldades e finalmente caminhar pelas ruas de fato. Mais uma vez que me enganei.

Nunca experimentei amar com leveza de criança e talvez, até por isso mesmo, já carreguei tanto peso de adulto. Peso que me oprime os atos e me esmaga o peito já tão contraído e próximo do chão. Amar com leveza soa irônico em ouvidos tão desenganados como os meus, mas eu acreditei. Acreditei que amor não precisava preencher os pré-requisitos que eu mesma, pela vida toda, tinha me imposto. Que não se preocupar com as conseqüências e se deixar levar pelo momento era a melhor das soluções. Me deixei apaixonar por uma criança, e acabei descobrindo que não passo de outra.

Acontece que medo e criança são quase palavras que se confundem, assim como também se confundem meus sentimentos agora.

Eu que sou tão mulher, eu que sempre me relacionei com pessoas tão mais velhas, eu que sempre soube que não queria me sentir uma criança do lado de outra, eu que sempre repudiei relacionamentos onde a parte infantil não se restringisse à mim; eu, essa menina que por muitas vezes se sente mulher, me pego completamente derrubada por um amor adolescente. Caída de quatro pelo menino com a carta fresca na mão, com as emoções à flor da pele, que tem como única certeza de que nada é certo na vida. Arrastando-se o máximo que posso para resgatar o beijo puro de quem ainda não tem muita certeza e mesmo assim é fantástico.

Aqui estou eu, mais infantil do que nunca, sentindo que tiraram o pirulito da minha boca e saíram correndo para tocar mais uma campainha oferecendo “gostosuras ou travessuras”. Me irrita o fato de ter perdido o controle para alguém que, em tese, entendia tão menos de amor do que eu. Me irrita mais ainda constatar, então, que talvez eu me julgue muito mais experiente do que realmente sou.

Com certo atraso fui perceber, que também não passo de uma criança que finge relacionar-se com adultos, mas que se pega sofrendo quando o menino vai embora e leva todo o cheiro de talco, todo o sabor da fruta, toda a leveza da minha vida junto com o medo de virar gente grande dele.
Rani Ghazzaoui

Se é amor, tem desencontro.

16 Dec

Não que seja fácil falar de amor. Menos ainda, que não me sinta com o coração esmagado a cada vez que constato, e aumento minha certeza, de que amor – aquele, de verdade – não existe.

Sinto como se não conseguisse amar porque você foi embora. Acabo esquecendo de me questionar se realmente te amei enquanto você ainda estava aqui. Me pego, tonta, num canto da sala. E saio correndo do seu fantasma invisível. Me vejo, louca, me acabando na festa. E limpo a maquiagem borrada de quem já não tem mais aparência. Me julgo, estúpida, pelas atitudes que tenho. E simplesmente não as consigo mudar.

Me sinto, suja, por dentro. E sei que foi você que jogou esse lixo todo em mim.

Se amor existisse, não deveria ter fim. Se amor não existisse, eu não choraria sua partida. Aliás, nem sei ao certo o que choro. Afinal, você nunca foi meu, de fato.

Acho, eu, que choro a dor da perda, a dor da conquista. Choro a vida que se negou, mais uma vez, a me fazer feliz. Choro a mim, choro você. Choro porque meu coração esmorece a cada nova estilingada que o
cupido lança em minha direção. Agora pelo que eu NÃO choro…ah, isso eu sei. Não choro por você ter ido embora, por ter roubado minha pureza pra sempre, por ter cegado meus olhos, por ter destruído minha fé, e nem tampouco por não me querer de volta.

Choro, finalmente entendi, porque mesmo não acreditando no amor, ainda sinto que não amo alguém tão especial como eu, para amar, no lugar, um babaca tão egoísta como você.
Rani Ghazzaoui

O amor que bateu asas e vôou…

16 Dec

Amores que vão e vêm…que passam, cruzam, viram, mas nunca param. Será que isso nunca acaba?

Lembro de uma música que ouvia quando criança que dizia em inglês: “Twist and turns but will this never ends?”, eu cantarolava, mas não entendia exatamente do que se tratava. Hoje em dia acho que entendo melhor o que aquelas palavras diziam. Quando a gente é criança a gente vive sonhando com o príncipe encantado, com o homem de nossas vidas. Costumamos achar que não ficaremos pra “titia” em hipótese alguma, que seremos sempre bem e infinitamente amadas.

Aí a gente cresce, quebra a cara uma e outras vezes, fica amargurada e deixa de acreditar no amor, no conto de fadas, no final feliz. Ficamos indignadas por não acharmos a tampa da nossa panela, o nosso cobertor de orelha e culpamos o amor (ou a inexistência dele) por isso.

Mas será que se a gente não tentasse ver onde NÓS estamos errando as coisas não melhorariam um pouco? Será que se conseguíssemos enxergar que a felicidade está nos gestos simples do dia-a-dia e não somente nas superproduções ensaiadas nós não veríamos que já fomos amadas?

Ele não te quer mais, mas uma dia ele te quis, ele te pegou daquele jeito, ele beijou sua boca de um jeito que você não consegue explicar e te fez muito especial, mesmo que por pouco tempo. Ele segurou sua mão, fez uma brincadeirinha com sua pinta no pescoço. Ele já prestou atenção em você.

Não adianta ficar chorando e parar a vida toda porque uma pessoa parou de enxergar você. Não é porque um amor não deu certo que o amor é uma mentira. O problema é que estamos acostumados a buscar, desde sempre, por um amor “pra sempre”, quando na verdade o “pra sempre” é a parte mais mentirosa da história toda.

Nada é pra sempre, nem amor e nem dor. Ame, ame muito, seja patético. E depois sofra, chore, fique arrasado. Amor é intenso, é único a cada nova vez…e é errante.

Que seja gritada a citação do poeta, que berre meu coração a cada nova oportunidade de bater de novo…e, principalmente, que não haja medo de começar algo que vai acabar um dia, porque o medo paralisa e amor é sim eterno, mas só enquanto dura.
Rani Ghazzaoui

“Não esqueça do espelho pra eu me olhar”

16 Dec

“…Elas têm que esperar um pouco para o homem certo chegar, aquele que é valente o bastante para escalar até o topo da árvore.” – o incontestável Machado de Assis

Engraçado ver como as pessoas se envaidecem por tão pouco. Ver como o ao sentir o mínimo aroma de poder por perto, as coisas mudam de figura. O maior erro de uma mulher, no jogo da conquista, é demonstrar à presa que está realmente interessada em abocanhá-la. Eles odeiam.

Tudo bem, tenho que admitir que não são só eles que se desinteressam por algo que parece muito alcançável e possível. Quem de nós nunca desistiu do bonito, educado, simpático e másculo – pelo qual, há pouco babávamos – assim que percebemos que o marmanjo estava nas nossas mãos? Ele acabou virando patético. A gente luta a vida toda pra encontrar um cara que ligue no dia seguinte, mas aí quando ele liga – no dia seguinte, e no outro, e no outro, e no outro – ele brocha a gente. Um sentimentinho estranho, uma repugnânciazinha vai tomando conta da situação.

Chegamos ao estágio do asco.

E agora??

E agora que fodeu, minha amiga. Você nunca mais vai conseguir dar um beijo molhado de dez minutos, num cara que te enoja pelo simples fato de estar do seu lado. Já era romance, já era mais essa chance…que se dane tudo. Quando a gente menos percebe, estamos perdendo mais uma pessoa bacana pelo simples fato de que estamos envaidecidas tamanha a atenção que essa pessoa nos deu.

Tudo bem, a culpa não é exatamente nossa, mas temos que aprender que nem só de cafajestes se faz uma boa paixão. Já pensou como ia ser legal se apaixonar perdidamente por um bonzinho e – sintam a maravilha minhas amigas – ser correspondida?! Sim, é possível…mas a gente não sabe, e nem eles. Não podemos reclamar que eles perdem tempo não querendo compromisso; a culpa é mesmo nossa, que
inflamos os egos inseguros deles.

(Já viram gordos quando emagrecem?Dentuços que acabaram de tirar o aparelho?Míopes que colocaram lentes de contato? Passam a ser as pessoas mais confiantes do mundo, e acabam esquecendo que, assim
como os que ainda tem gordurinhas excedentes, dentes fora do lugar, ou óculos no rosto, eles também têm defeitos. Ficam deslumbrados.).

Ego inflado é a pior coisa que existe…a gente fica indignada, mas continua assoprando, e aí quando eles voam, a gente reclama. Ao invés de gastarmos tanto fôlego com tanta insegurança escondida no meio
de músculos sem cérebro, por que nós não tentamos olhar de novo pro bonzinho? Por que um cara que se acha tão importante, ao ponto de ser inatingível pra você, ainda tira seu sono?

Burrice ou ignorância?

Fico com a primeira, acho que já estamos bem avisadas do realmente é bom pra nós. Então, pra que insistir no balão que vai voar, se temos tantas bolas por aí, que por mais que quiquem, voltam?
Rani Ghazzaoui

Quase lá: quando as coisas quase acontecem como você queria.

16 Dec

“…É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.” – Luis Fernando Veríssimo

Levanto e dou de cara com a realidade do dia, a manchete da consciência que teima em me contar que aquele ainda não era o homem certo, que mais uma vez eu – menina boba, muito boba – idealizei uma pessoa que não existia, e mais uma vez caiu do cavalo. Ele é bonito, educado, gentil, simpático…um típico TDB, como diriam as adolescentes geração “Malhação” e afins, mas mesmo assim a decepção foi inevitável e agora ele não passa de mais um FDP, como diriam as desiludidas como esta que vos escreve.

O problema é que não basta ser bonito, educado, gentil e simpático para ser um homem completo. Homem que é homem, tem que ter atitude. Mas também, como podemos cobrar atitudes masculinas mais viris, se nós mesmas nos pegamos caindo de amores por verdadeiras flores? Sim, estamos na era de David Beckham, o cara que pinta as unhas mas nunca está em falta com a mulher – aliás, dizem as más línguas, que ele até excede os limites domiciliares e ainda presta uns servicinhos fora de casa, às vezes.

Vivemos numa fase onde virilidade se confunde com delicadeza, e é aí que ficamos confusas. Já não sabemos mais se temos que agir como menininhas ou se temos que dar uma de duronas. Às vezes um ato de delicadeza dele, nos faz acreditar que estamos quase lá, e que dessa vez acertamos. Idealização ou não, fica meio difícil de saber as intenções masculinas, quando a delicadeza da parte deles já está tão feminina. Antigamente era mais fácil saber se um homem estava interessado por uma mulher porque a delicadeza masculina só aflorava quando os interesses da carne falavam mais alto.Hoje não.e por isso ficamos tão
confusas.

Ele pode parecer fantástico pra você, mas pode querer ser só seu amigo, e você nunca vai saber se está sendo, de fato, rejeitada. Eu fui, e agora sei. Será que fui? Quem é que sabe…?

Ele sabe, mas não diz. Eu não sei, e quase entendo.
Rani Ghazzaoui