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		<title>Ao bom ano e à geração perdida</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Jan 2012 00:36:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rani Ghazzaoui</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ranighazzaoui.files.wordpress.com/2012/01/303280_10150979053455164_647330163_21923230_180691396_n.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1536" title="303280_10150979053455164_647330163_21923230_180691396_n" src="http://ranighazzaoui.files.wordpress.com/2012/01/303280_10150979053455164_647330163_21923230_180691396_n.jpg?w=490&#038;h=368" alt="" width="490" height="368" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Me sinto repetitiva. Me sinto como se estivesse, há tantos anos agora, batendo na mesma tecla, tentando me explicar para o mundo, tentando me aceitar, te aceitar e fazer você virar parte de mim por completo, como um novo membro, um terceiro braço e uma conjunção de cérebro e coração na medida certa, como se fosse mesmo possível encontrar num relacionamento o balanço ideal entre a razão e a paixão.</p>
<p style="text-align:justify;">Passei a primeira metade dos meus vinte que não são mais tão poucos assim querendo encontrar encaixe perfeito em uma fôrma que não tinha minha medida, tentando fazer parte de um mundo que não é meu, tentando acreditar que dentro da minha loucura havia aquela sanidade com sensação de contentamento que eu vejo todas as outras pessoas do mundo tendo no final do dia, quando elas apagam as luzes, deitam suas cabeças no travesseiro e decidem que mais fácil do que correr atrás dos sonhos é não sonhar muito alto, pra não se decepcionar.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas eu não quero ser assim. Não quero ser desde que decidi, quando ainda era muito pequena pra decidir por mim mesma, que queria ser atriz pra poder então ser a emoção que não era minha. Decidi que quando você pode – mesmo que por poucos segundos – roubar uma vida que não é sua, você pode também de uma certa forma sonhar todos os sonhos do mundo.</p>
<p style="text-align:justify;">Fico prestando atenção na minha geração. Sou tão analítica que saio de casa e esqueço do que estou fazendo na rua já que a rua é o meu maior entretenimento e não há nada que tome a minha atenção mais do que ficar ali, assistindo as pessoas e seus maneirismos, suas faltas de educação,  suas gentilezas, o jeito que andam, como se vestem, os que se esforçam pra parecer desajeitados, os que são charmosos porque não tem jeito mas não sabem. Ver gente me faz acreditar e me faz desacreditar na vida todos os dias.</p>
<p style="text-align:justify;">Acho minha geração covarde. Acho que usamos a sensação de liberdade que nossos pais viveram nos anos 70 para justificar todos os nossos medos de comprometimento, de derrota e de amadurecimento. Acho engraçado &#8211; e um pouco triste - olhar em volta de  mim e perceber que as dinâmicas não estão mudando porque já mudaram faz tempo: virou normal e aceitável ser adolescente aos trinte e poucos; estranho mesmo é se comprometer, se colocar em situações desconfortáveis, aceitar desafios que o aplicativo do iPhone não consegue resolver e, claro, difícil mesmo é se apaixonar&#8230;. e admitir.</p>
<p style="text-align:justify;">Vivo minha vida pairando sobre a linha que divide os meus amigos caretas dos meus amigos coloridos. Os primeiros, meio moralistinhas, que defendem a vida como as que têm os pais deles, no padrão, família quadradinha, emprego, namoro longo, anel de noivado, filhos, churrasco de domingo, aposentadoria. Os outros tentando ser  mais livres, tentando ser sempre criativos, cortes de cabelo, música e cinema, emprego de final de semana e surfe de dia de semana, amor livre por falta de amor próprio ou por necessidade de qualquer tipo de amor, muita bebida, muita droga, muito vazio preenchido por fotografias de moda e peças de arte penduradas nas paredes, dando a impressão do conhecimento e do sentimento que eles fingem, mas não têm.</p>
<p style="text-align:justify;">Eu fico ali no meio. Não li nenhum livro em 2011, não fiz exercício, não aprendi a dirigir, nem a controlar o meu ciúme, não mudei de emprego, não escrevi meu livro (nem mesmo escrevi o tanto que eu deveria), não cumpri minhas metas do dia 31 do outro ano porque, na realidade, a vida vai passando e você tem que ir vivendo, sem manual.</p>
<p style="text-align:justify;">Não tenho medo do futuro, nem da velhice. Mas nessa viara de ano percebi que a vida está passando muito rápido por mim enquanto eu passo meus dias olhando apenas a minha volta, especulando o porquê dos trejeitos dos outros quando eu deveria estar, na verdade, vivendo mais o que está inacabado dentro de mim. Meu medo não é de estar com quase 26, meu medo é de estar com quase 26 e ser irrelevante, desimportante, não ter conquistado nada que eu pensei que teria há dez anos atrás. Meu medo é nunca mais ter a possibilidade de subir num palco e roubar um sonho, de nunca conseguir assinar meu nome na contracapa de um livro, de perceber que enquanto eu moro fora do Brasil há anos, minha família também está envelhecendo e eu, por mais que tenha todos os aplicativos da tecnologia para manter contato, não estou lá e nunca mais vou ganhar estes anos de volta.</p>
<p style="text-align:justify;">Todo final de ano é a mesma coisa. Um dia não muda nada, é só mais uma vez que o sol viu a gente passar, repetitivos. Minhas vontades de começo de ano são sempre as mesmas também, quero ser melhor do que fui, quero ser o que não consegui ser, quero ser quem não sou.</p>
<p style="text-align:justify;">2012 veio e para aqueles que estão à espera do apocalipse eu asseguro, do mesmo jeito que Sartre descobriu o inferno nos outros, a única pessoa com o poder de acabar com o seu mundo do jeito que ele existe é você. Não vou perder meu tempo com resoluções esse ano porque quem espera sempre que o ano novo seja o melhor da vida, não deve estar tendo uma vida assim, muito interessante.</p>
<p style="text-align:justify;">Realisticamente, então, vou tentar controlar as ansiedades e esquizofrenias, tentar me preocupar menos, tentar respirar  certo, andar em linha reta e torcer pra que o meu lado careta não proíba a minha criatividade e pra que o meu lado maluco não acabe com as minhas  chances de família, cachorro e churrasco de domingo. E torcer para o melhor. Só isso.</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ff6666;"><strong>Rani Ghazzaoui</strong></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ranighazzaoui.wordpress.com/1535/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ranighazzaoui.wordpress.com/1535/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ranighazzaoui.wordpress.com/1535/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ranighazzaoui.wordpress.com/1535/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ranighazzaoui.wordpress.com/1535/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ranighazzaoui.wordpress.com/1535/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ranighazzaoui.wordpress.com/1535/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ranighazzaoui.wordpress.com/1535/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ranighazzaoui.wordpress.com/1535/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ranighazzaoui.wordpress.com/1535/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ranighazzaoui.wordpress.com/1535/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ranighazzaoui.wordpress.com/1535/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ranighazzaoui.wordpress.com/1535/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ranighazzaoui.wordpress.com/1535/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ranighazzaoui.wordpress.com&amp;blog=10937541&amp;post=1535&amp;subd=ranighazzaoui&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Obrigada, canalha.</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Dec 2011 02:46:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rani Ghazzaoui</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://ranighazzaoui.files.wordpress.com/2011/12/oi.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1526" title="oi" src="http://ranighazzaoui.files.wordpress.com/2011/12/oi.jpg?w=490&#038;h=326" alt="" width="490" height="326" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Parece que minha cabeça aquietou, emudeceu. Parace que seu rastro está saindo de mim aos poucos, quase me deixando acreditar que nunca mais vou sentir o gosto amargo do seu amor errado descendo reto pela minha garganta, me fazendo burra, surda, cega e mentirosa. Dois corpos caíram daquele edifício no dia que eu resolvi que nenhuma estrutura reforçada teria força suficiente pra segurar um amor que, há tanto tempo, já estava desmoronando.</p>
<p style="text-align:justify;">Você foi, bem devagar, somando em mim medos e angústias, demônios que não sei se vão me deixar tão cedo, tão logo, nunca. Saí por aí despedaçada, agachada no meio da rua procurando por aquele pedaço de dignidade que você não só roubou como, também, jogou fora.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas aí eu parei. Parei, sentei, fumei um cigarro imaginário e li esse texto aí de cima. Achei brega. Achei anos noventa. Achei que sofrer por você estava cafona, estava fora de moda, não fazia sentido nenhum. Achei (e ainda acho) que tudo o que vivemos foi bom e foi válido, mas entendi nesse ano que passou que  nem todo o amor idealizado do mundo inteiro unido numa só bola gigante de vontade seria suficiente pra transformar os meus sonhos pra gente em alguma coisa que pudesse se concretizar na realidade; porque na realidade – e todo mundo que nos conhece, sabe – nós somos diferentes demais pra conseguir fazer uma mistura consistente.</p>
<p style="text-align:justify;">Passei um ano inteiro fazendo toda a festa que me cabia, correndo de um lado pro outro – fazendo uso do termo correr em espanhól neste trecho aqui. Um ano tentando me justificar como pessoa, justificar minha abdicação de poder da minha própria vida, me sentindo de novo como se eu fosse aquela menina de 15 anos que um dia acordou com toda essa vontade de personalidade dentro de si e percebeu que era possível sim escolher quem a gente quer ser no mundo.</p>
<p style="text-align:justify;">No fundo, eu acho, que eu deveria te agradecer. Não por você ter sido ruim, insensível, maldoso, frio, calculista, covarde ou infiél, não por isso. Mas por ter me mostrado, de uma certa forma, que muito embora você tenha usado os quatro últimos anos das nossas vidas pra destruir a minha como eu a conhecia antes, eu ainda fui capaz de sair do seu lado – ainda que incompleta – não destruída. Tenho que te agradecer porque o seu medo de se entregar para o amor total não acabou com a minha vontade de acreditar nele. E tenho que te agradecer também por – através de um método cruel – ter me ensinado que, na vida, é preciso se ter cautela.</p>
<p style="text-align:justify;">Se hoje eu sento aqui e consigo olhar pra ele com olhos curiosos e, ao mesmo tempo, cuidadosos, eu devo isso a você. Se hoje percebo que ele me quer de uma maneira verdadeira, sem trapaças e com promessas de amor que serão cumpridas, eu devo a você. Se hoje sou capaz de atitudes que nunca fui na minha vida porque você tinha prazer em me fazer insegura e ter me mostrado que numa escala do que eu não quero emocionalmente pra mim, você é um extremo, ele o outro, devo a você também.</p>
<p style="text-align:justify;">Quero dizer que minha vida era boa antes de você, mas que ficou muito melhor depois que você foi embora e, quando eu te desejo felicidade, eu não falo por falar, eu acho mesmo que ambos estamos melhores separados. Mas preciso muito, antes de mais nada, com a maior sinceridade que já tive na minha vida que te saudar por me mostrar que o nosso amor era ruim, mas nem todo amor tem que ser.</p>
<p style="text-align:justify;">E se agora eu posso sentar aqui, tranquila no meu canto, com tempo pra remoldar minha vida do jeito que eu quero e deixar o novo amor entrar pela porta da frente, sem medos, sem neuras e sem comparações com tudo o que um dia foi você, isso eu devo ao seu caráter duvidoso, que me fez querer melhor do meu futuro.</p>
<p style="text-align:justify;">Nossos corpos caíram do prédio e eu acabei sobrevivendo, assim como fez você. Com sorte, suas feridas também fizeram de você uma pessoa melhor, que não vai abusar do amor que alguém derramou no chão pra você passar por ele e sentir ele todo. As minhas (feridas), secaram e viraram lembrança do que funciona ou não pra mim.</p>
<p style="text-align:justify;">A gente só aprecia a felicidade de verdade quando foi até o inferno e voltou, e essa parte passada da minha história é sua.</p>
<p style="text-align:justify;">Obrigada, você. Obrigada, canalha.</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ff6666;"><strong>Rani Ghazzaoui</strong></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ranighazzaoui.wordpress.com/1518/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ranighazzaoui.wordpress.com/1518/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ranighazzaoui.wordpress.com/1518/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ranighazzaoui.wordpress.com/1518/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ranighazzaoui.wordpress.com/1518/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ranighazzaoui.wordpress.com/1518/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ranighazzaoui.wordpress.com/1518/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ranighazzaoui.wordpress.com/1518/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ranighazzaoui.wordpress.com/1518/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ranighazzaoui.wordpress.com/1518/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ranighazzaoui.wordpress.com/1518/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ranighazzaoui.wordpress.com/1518/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ranighazzaoui.wordpress.com/1518/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ranighazzaoui.wordpress.com/1518/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ranighazzaoui.wordpress.com&amp;blog=10937541&amp;post=1518&amp;subd=ranighazzaoui&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Próximo</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Oct 2011 07:51:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rani Ghazzaoui</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Lembra dela há um tempo atrás? Suas escolhas não eram mais dela, seus sonhos ficaram todos esquecidos do mundo, dentro da sua cabeça que a cada dia ficava mais confusa no meio do que ela achava ser certo pra ele, pra ela e pro que ela sempre imaginou como sendo um sonho de futuro. Irônico, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ranighazzaoui.wordpress.com&amp;blog=10937541&amp;post=1510&amp;subd=ranighazzaoui&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ranighazzaoui.files.wordpress.com/2011/10/hc2oe5qbdoxb68z3rgxdcwbio1_500.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1511" title="Hc2oe5qBdoxb68z3RgXDCWbio1_500" src="http://ranighazzaoui.files.wordpress.com/2011/10/hc2oe5qbdoxb68z3rgxdcwbio1_500.jpg?w=490&#038;h=313" alt="" width="490" height="313" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Lembra dela há um tempo atrás? Suas escolhas não eram mais dela, seus sonhos ficaram todos esquecidos do mundo, dentro da sua cabeça que a cada dia ficava mais confusa no meio do que ela achava ser certo pra ele, pra ela e pro que ela sempre imaginou como sendo um sonho de futuro. Irônico, seus sonhos e sua capacidade de sonhar foram anulados pela vontade que ela tinha &#8211; que sempre teve &#8211; de viver um sonho junto com alguém. Não entendia, eu acho, que nenhum sonho em comum com alguém que possa anular todos os seus próprios objetivos, suas vontades pessoais, sua personalidade, seus amigos, seua vida social, suas risadas, seus talentos, sua capacidade de reconhecer seu valor pode ser, então, considerada sonho.</p>
<p style="text-align:justify;">Lembro dela olhando pela janela toda noite, o estômago na boca, o coração na mão e sempre os olhos meio marejados, tirando o foco da verdade já que a água deixa tudo distorcido e, pra ela, enxergar o que estava acontecendo não era uma opção. Ele saía de manhã e voltada tarde da noite, todos os dias. Ela, tinha dias, mal saía da cama tamanha era a sua vontade de se afogar nos seus próprios pensamentos, e desaparecer. Acontece &#8211; e eu sei que ela não enxergava -, mesmo estando ali sentada, ela já estava desaparecida há muito tempo.</p>
<p style="text-align:justify;">Lembro que ele a amou um dia, mais do que muito, mais do que tudo. Que olhava pra ela com olhos de adoração, de vontade, desejo e curiosidade, que queria mais do que tudo aquela menina que ele viu virar mulher pra ser, então, a sua. Queria tanto que semeou sem permissão, sua vontade dentro dela. Queria tanto que tomou sua mão prometendo um casamento que nunca ia acontecer porque a vontade dele não era casar-se com ela, mas sim saber que ele podia a qualquer momento, se assim quisesse. Mas lembro, como se fosse hoje, que não importava o quão desajeitado ele fosse pra todos os protocolos do amor, ele ainda assim a amava com tudo o que ele tinha, e mais um pouco. Seu amor era bruto, possessivo e machucava, mas ele a amava.</p>
<p style="text-align:justify;">Lembra? Ela sentou naquela mesma sala tantas  vezes. Olhando pra ele, sorrindo com ele, esperando por ele, duvidando dele, amando ele, acreditando nele, sendo traída por ele. Ela sentou naquela sala segurando seu coração machucado nas mãos dia após dia, esperando uma explicação plausível, esperando mais uma mentira aceitável pra então continuar ali sentada, aceitando da vida muito menos do que ela merecia, mas exatamente o que ela queria.</p>
<p style="text-align:justify;">Lembro, ele mudou. Assim como mudou ela, eu sei. Mas mudou porque não sabia mais como ser espontânea no meio de tantas dúvidas todos os dias, o tempo todo. E mesmo quando ele mal olhava pra ela, lá bem perto do final, ela ainda conseguia ouvir a voz dele a chamando pelo apelido que ele inventou, no primeiro dia que a viu, e pelo qual a chamou por cinco anos seguidos, dia após dia. Mesmo quando ele dormia no sofá por meses, ela ainda conseguia sentir o peso da perna pesada dele bloquando a circulação da perna dela, dormente. Ela sabia o cheiro do banho dele mesmo quando ele só entrava na banheira quando ela não estava em casa porque ele não queria ser perturbado.</p>
<p style="text-align:justify;">Tudo passou, como na vida tudo passa. Ela deu seu grito de liberdade, saiu da casa, mudou a vida, nunca mais olhou pra trás. Mas vez ou outra, eu sei que ambos lembram não do que aconteceu no final de tudo, mas de tudo o que aconteceu enquanto o mundo todo não importava e nada era mais importante do que chamar um ao outro pelo apelido carinhoso que ninguém mais tinha, só eles.</p>
<p style="text-align:justify;">Lembranças são pra vida toda, assim como cicatrizes. O grande lance é que atrás de uma cicatriz, sempre há uma história que, embora dolorida, não precisa ser necessariamente toda ruim.</p>
<p style="text-align:justify;">Hoje lembrei dele, lembrei dela e lembrei da gente naquele começo, naquele meio e, por incrível que parece, não lembrei do fim pela primeira vez. Chorei um pouco, pela primeira vez depois de meses. Sete. Mas sorri depois porque percebi que lembrar de você e sorrir te classifica, de agora em diante e pra sempre, como lembrança, nunca mais como presente. E no passado &#8211; porque eu posso selecionar &#8211; é impossível que você me machuque, pelo menos não de novo.</p>
<p style="text-align:justify;">Não te quero no meu presente, tampouco no meu futuro e não sinto sua falta, de verdade. Mas fico feliz de perceber que lembrar de você, no passado, me faz sorrir já que naquele tempo que agora não nos pertence mais, ela chorou demais por você&#8230; e por mim.</p>
<p style="text-align:justify;">Você que um dia foi minha vida, hoje na minha é, finalmente, só uma lembrança. E eu, agora, posso virar a página porque finalmente estou pronta pra amar de novo. Próximo.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#ff6666;">Rani Ghazzaoui</span></strong></p>
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		<title>Amor não</title>
		<link>http://ranighazzaoui.wordpress.com/2011/07/27/5-meses-sem-voce/</link>
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		<pubDate>Wed, 27 Jul 2011 05:18:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rani Ghazzaoui</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Tudo aqui dentro morreu um pouco, pra renascer. Meus jeitos antigos eu perdi e e não sei onde – nem se quero – encontrá-los de novo. A vida passou tão rápido desde aquele primeiro dia em que eu vi em você a chance de resolução pra todos os problemas que eu ainda nem imaginava que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ranighazzaoui.wordpress.com&amp;blog=10937541&amp;post=1496&amp;subd=ranighazzaoui&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://ranighazzaoui.files.wordpress.com/2011/07/planetblue4.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1498" title="planetblue4" src="http://ranighazzaoui.files.wordpress.com/2011/07/planetblue4.jpg?w=490&#038;h=343" alt="" width="490" height="343" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Tudo aqui dentro morreu um pouco, pra renascer. Meus jeitos antigos eu perdi e e não sei onde – nem se quero – encontrá-los de novo. A vida passou tão rápido desde aquele primeiro dia em que eu vi em você a chance de resolução pra todos os problemas que eu ainda nem imaginava que teria.</p>
<p style="text-align:justify;">Ando na rua todo dia completa, tudo é meu, tudo é novo, a solidão se encheu de alguma coisa que minha constante metáfora pendurada no pescoço nem consegue explicar. Não sei mais o seu cheiro, pouco penso no seu rosto mas por algum motivo que eu desconheço, a vontade de entrelaçar minhas pernas em outras ainda persiste. Tropeço no caminho porque preciso de parada, nunca consigo chegar. Esbarro em gente que não devia, chuto obstáculos porque sou (estou) muito necessitada pra enxergá-los. Perto da minha vontade infinita de amor supremo, a minha visão periférica é muito pobre, já que fica muito focada no objetivo impossível, lá no final da rua da minha vida, na qual você foi o único morador por tanto tempo.</p>
<p style="text-align:justify;">E apesar da vontade que resolve aprecer às vezes, desisti de &#8211; em linhas gerais - acreditar em amor eterno porque aprendi da pior maneira possível que eternidade é pra quem tem tempo sobrando, e a nossa vida é muito curta. Quero a minha cama vazia de manhã porque estou cheia de mim, mas à noite eu quero curvas perfeitas, completas, queria alguém que me completasse com um abraço que conseguisse ser mais perfeito do que foi o nosso, um dia. Fico querendo e tendo o calor de madrugada, roubando a coberta e por aquele curto período de  8 horas ou menos, encontrando um encaixe não perfeito, mas que dê pro gasto até que, pela manhã, se gaste.</p>
<p style="text-align:justify;">E que o sexo fosse melhor. Queria alguém com um braço igual ao seu, mas com a cabeça muito diferente. Alguém que me amasse como você me amou no começo, lembra? Mas que fosse mais profundo, mais sensível, mais namorado. Queria alguém que tivesse todas as suas qualidades que hoje eu quase já não tenho lembrança, e nenhum dos seus defeitos que, infelizmente, são tudo o que se liga a você quando penso na gente. Queria alguém que se vestisse como eu gosto, do jeito que fazem todos aqueles que vão embora pela manhã sem eu nem ao menos ter que pedir. Queria tanto que parece que estou montando um look completo, quase um patch work de peças avulsas daqueles que vieram e se foram, deixando uma camisa, um relógio ou uma corrente pra trás. Muito acessório e pouca lembrança.</p>
<p style="text-align:justify;">Te vi outro dia pela janela, lá estava você fazendo as mesmas coisas, com a mesma barba mal feita que fui eu que te ensinei a deixar no rosto. Estava lá você com as suas roupas que fui eu quem escolhi, sorrindo um sorriso que eu conheço bem, sei exatamente a distância do seu lábio à gengiva aos dentes. Sei os milímetros. Lá estava você, exatamente do jeito que eu deixei, através daquela mesma janela de vidro, parado no tempo. E eu sei que você vai continuar lá, fazendo os mesmos movimentos que eu já sei com as suas mãos machucadas pelo tanto que você cutuca tudo com elas. Eu te mudei e você não vai mudar porque é assim que você sabe ser, contentando-se naquela medianidade, mediocridade que – pra mim – não dá tesão porque é justamente na certeza das coisas que a gente se acostuma a fazer de olhos fechados que o mundo deixa, então, de ser visto.</p>
<p style="text-align:justify;">Eu fui embora de você e, agora, eu mando todo mundo embora de mim porque decidi que quero ser uma rua de passagem ao invés de uma viela sem saída. Um dia quem sabe alguém que goste de cinema, de arte e de música boa chegue aqui e, meio que sem dar muita bandeira, comece a cobrir os postes com fotos de coisas e pessoas incríveis, escrevendo no chão cartas de amor não brega. Talvez ele chegue e traga pessoas pra socializar no meio de uma festa colorida e, aí, sem perceber eu vou acabar fechando de novo a rua com árvores e portões flexíveis, pra fazer a comemoração pela vida ser privada.</p>
<p style="text-align:justify;">Quando você abre os braços pra vida, amores de morte perdem o lugar no abraço. Continue sorrindo, mantendo a sua barba e tente achar uma camisa do mesmo tom que tem a de agora quando essa desbotar e eu não estiver mais aí pra escolher outra pra você. Logo, logo – eu sei – você bloqueia outra cabeça, outra casa, outra vida. No meio tempo eu vou estar aberta, livre e olhando tudo o que tem em volta de mim. Nossa felicidade nunca ia ser a mesma, hoje eu vejo, já que seu amor é cheio de bloqueio, e o meu cheio de curiosidade. Sejamos felizes, você explorando o amor de alguém e eu, a vida.</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ff6666;"><strong>Rani Ghazzaoui</strong></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ranighazzaoui.wordpress.com/1496/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ranighazzaoui.wordpress.com/1496/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ranighazzaoui.wordpress.com/1496/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ranighazzaoui.wordpress.com/1496/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ranighazzaoui.wordpress.com/1496/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ranighazzaoui.wordpress.com/1496/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ranighazzaoui.wordpress.com/1496/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ranighazzaoui.wordpress.com/1496/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ranighazzaoui.wordpress.com/1496/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ranighazzaoui.wordpress.com/1496/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ranighazzaoui.wordpress.com/1496/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ranighazzaoui.wordpress.com/1496/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ranighazzaoui.wordpress.com/1496/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ranighazzaoui.wordpress.com/1496/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ranighazzaoui.wordpress.com&amp;blog=10937541&amp;post=1496&amp;subd=ranighazzaoui&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Você</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Apr 2011 13:50:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rani Ghazzaoui</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Você foi indo embora os poucos da minha vida, e eu preciso agora de um consolo imediato. Eu não sei se sinto a sua falta porque eu não sei mais o que sinto, ficou um buraco. Você tirou de mim tudo o que era nosso e tirou de mim tudo o que era meu, você [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ranighazzaoui.wordpress.com&amp;blog=10937541&amp;post=1480&amp;subd=ranighazzaoui&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://ranighazzaoui.files.wordpress.com/2011/04/2qbfz1k.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1481" title="2qbfz1k" src="http://ranighazzaoui.files.wordpress.com/2011/04/2qbfz1k.jpg?w=490&#038;h=373" alt="" width="490" height="373" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Você foi indo embora os poucos da minha vida, e eu preciso agora de um consolo imediato. Eu não sei se sinto a sua falta porque eu não sei mais o que sinto, ficou um buraco. Você tirou de mim tudo o que era nosso e tirou de mim tudo o que era meu, você me tirou do eixo, me tirou do meu fuso, da minha rota. Me tirou de onde eu estava, me tirou de tudo quanto foi lugar que você achou que eu não cabia e eu só fui indo, indo, indo, sendo tirada de cá pra lá, a todo momento, vagando pela vida sem precisar.</p>
<p style="text-align:justify;">Você foi meu por tanto tempo que me dá medo de deixar doer tudo o que eu acho que ainda tem pra secar. E você foi meu por tanto tempo que às vezes parece que tudo foi gasto entre a gente, até a dor e, mesmo quando eu forço ficar triste por obrigação de sentir a sua falta, ela não vem.</p>
<p style="text-align:justify;">Você me conheceu menina, e me viu virar mulher. Você leu todos os meus textos falando de outras pessoas, você esteve presente em todos os momentos da minha vida em que eu achei que só a sua aprovação era importante.  Você enxergou em mim a minha tristeza despedaçada e me falou tantas vezes que você era a cola que ia manter meu castelo de sonhos montado. Mas depois, você montou em cima dos meus sonhos, bloqueando qualquer visão que eu pudesse ter pra eles, me fazendo achar que além do horizonte do seu sorriso não se achava mais nada.</p>
<p style="text-align:justify;">Você viu em mim qualidades que ninguém até então tinha tido sensibilidade de encontrar, você conheceu meus olhos de bom dia e de boa noite, meus olhos de felicidade, de saudade e de tristeza, você conheceu minha boca que se comprime quando a vida discorda comigo e eu não acho outra saída a não ser amarrar o choro no bico. Você me deixou te ver por debaixo da armadura que todo mundo conhece, você deitou tanto comigo em tantos lugares que aquela sua perna pesada que bloqueava a minha circulação toda santa noite virou minha perna também e, depois de um tempo, nem meu sangue ligava mais de ter o seu destino bloqueado por você.</p>
<p style="text-align:justify;">Você me amou tanto que, mesmo sem poder me amar direito, não queria me deixar ir e foi matando nosso amor aos poucos, usando contra mim todas as coisas que um dia foram tudo o que eu ofereci de encantador a você. Você puxou todos os meus limites e me fez descobrir partes de mim que eu não sabia que existiam, você trouxe o melhor e o pior, trouxe aquela sensação de frio na barriga eterno, de ansiedade constante, de não saber se vai ser possível respirar até o pulmão encher porque, antes mesmo do final do respiro já se sente falta de ar.</p>
<p style="text-align:justify;">Você foi meu de verdade, foi meu com tudo, foi meu de noite até de dia por todos os dias de todos esses anos que eu vivi você mais do que vivi comigo. Por todos os dias que eu acordei de manhã e precisava saber do quê você precisava, antes de eu me lembrar que eu também era uma pessoa e também precisava de tantas coisas.</p>
<p style="text-align:justify;">E eu fui embora porque por mais que eu tentasse, por mais que eu chorasse, rezasse, desejasse, implorasse, suplicasse, abaixasse, ajoelhasse, gritasse, sussurrasse e pensasse, eu percebi que a minha necessidade de você nunca seria suprida já que, de alguma maneira que até agora eu não sei, você me roubou de mim e a minha busca era sem fim porque não era certeira.</p>
<p style="text-align:justify;">E pela primeira vez em muitos anos eu entendi que eu estava precisando de mim, não de você.</p>
<p style="text-align:justify;">E mesmo enquanto eu me ajoelho e reúno do chão os pedaços de mim, não posso negar que muitos deles são completamente seus. A gente se bagunçou tanto que só a música do Chico consegue explicar a minha sensação de ter o seu paletó enlaçado no meu vestido aonde quer que eu vá. Você vai pra sempre fazer parte do que está em mim e, mesmo com olhos céticos, tudo o que a gente teve de tão bonito nunca vai mudar.</p>
<p style="text-align:justify;">‘Só amor não adianta’, a gente repetiu tantas vezes. E eu precisei não poder mais enxergar você na minha vida que era pra ver se, assim, eu conseguia começar qualquer frase, qualquer conversa, qualquer pensamento e qualquer texto com alguma outra palavra que não &#8216;você&#8217;.</p>
<p style="text-align:justify;">E o meu discurso antigo (que é seu) diria com a sua voz  (da qual conheço todos os tons) que pra mim o nosso amor não passou de um monte de experiências exageradas pra virar, no final, um texto bonito.</p>
<p style="text-align:justify;">Eu, entretanto, discordo. Pra mim o nosso amor foi verdadeiro e é uma pena que ele termine assim, reunido num monte de palavras tristes no chão, sem cola.</p>
<p style="text-align:justify;">O meu castelo desabou e eu preferi reconstruir meu mundo sem você. Por escolha, não por falta de amor.</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ff6666;"><strong>Rani Ghazzaoui</strong></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ranighazzaoui.wordpress.com/1480/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ranighazzaoui.wordpress.com/1480/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ranighazzaoui.wordpress.com/1480/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ranighazzaoui.wordpress.com/1480/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ranighazzaoui.wordpress.com/1480/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ranighazzaoui.wordpress.com/1480/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ranighazzaoui.wordpress.com/1480/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ranighazzaoui.wordpress.com/1480/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ranighazzaoui.wordpress.com/1480/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ranighazzaoui.wordpress.com/1480/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ranighazzaoui.wordpress.com/1480/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ranighazzaoui.wordpress.com/1480/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ranighazzaoui.wordpress.com/1480/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ranighazzaoui.wordpress.com/1480/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ranighazzaoui.wordpress.com&amp;blog=10937541&amp;post=1480&amp;subd=ranighazzaoui&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Certo?</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Nov 2010 10:38:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rani Ghazzaoui</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Ouvi dizer hoje à tarde que quando você é completamente dono da sua personalidade, ninguém jamais será capaz de usar ela contra você. Fiquei  pensando que fazia sentido e que são justamente as pessoas que têm a capacidade de moldar mais e mais perfeitamente quem elas são, que conseguem no final, viver a vida sem [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ranighazzaoui.wordpress.com&amp;blog=10937541&amp;post=1474&amp;subd=ranighazzaoui&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://ranighazzaoui.files.wordpress.com/2010/11/296j4ly.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1475" title="296j4ly" src="http://ranighazzaoui.files.wordpress.com/2010/11/296j4ly.jpg?w=490&#038;h=312" alt="" width="490" height="312" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Ouvi dizer hoje à tarde que quando você é completamente dono da sua personalidade, ninguém jamais será capaz de usar ela contra você. Fiquei  pensando que fazia sentido e que são justamente as pessoas que têm a capacidade de moldar mais e mais perfeitamente quem elas são, que conseguem no final, viver a vida sem passar pelo problema mais difícil – muito mais difícil do que ser julgado ou atacado por alguém – quem tem o dom, o tom e o movimento certeiro de se descobrir, se aceitar, se entender, se respeitar e se amar acima de tudo e de todas as coisas, jamais terá que ser questionado por si mesmo. Porque quando eu sou quem eu sou, e eu sei do que eu sou feito,  ninguém tem o poder de me domar, me dominar; a minha guia vai ser a que eu quiser, ao vento que eu escolher.</p>
<p style="text-align:justify;">Certo?  Certo.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas aí continuei ouvindo. Ouvi outras conversas, percebi quantas verdades cabem dentro de uma mesma história. Se sou eu quem escuta, sou eu quem crio em cima do que já foi criado. E se pontos de vista existem, a minha personalidade não depende da de ninguém, mas cada pessoa vai continuar pensando o que quiser de mim. E pouco importa no fundo porque quem continua vivendo na minha pele sou eu, gostem os outros ou não.</p>
<p style="text-align:justify;">Certo? Certo.</p>
<p style="text-align:justify;">Mais adiante na conversa, ouvi que fulano não entendia como cicrano tinha o poder de odiar e amar sua mulher, tudo junto, de uma vez, tão sem fim na decisão se ela era ou não a pessoa que ele deveria permanecer junto, pra sempre. Fiquei ali pensando&#8230; “pra sempre é tanto tempo”.  Nosso medo tão inseguro de não conseguirmos mais caminhar em dois pés porque num determinado momento nos acostumamos a andar em pares, dormir em pares, comer em pares. Nossos pés continuam sendo só dois, mas a gente se acostuma a andar feito cachorro, de quatro, seguindo o ritmo do dono, muitas vezes sufocados pela coleira sem saber se a sensação é de segurança ou de pavor.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas viver junto é o certo, certo? Certo.</p>
<p style="text-align:justify;">Porque amor é tudo o que todo mundo procura. Amor tem a função impossível de preencher os buracos que já nasceram vazios, amor tem a obrigação de curar traumas de infância, de ser mais importante do que as realizações pessoais, do que o nosso egoísmo que poderia nos alavancar pra frente, amor tem o desejo quase burro, quase louco de tapar com outras as nossas saídas respiratórias, porque amor enche tudo, amor cobre tudo, amor não te deixa respirar, nem andar em dois pés, nem ver a vida com os dois olhos que nasceram no seu rosto, num único par.</p>
<p style="text-align:justify;">E eu vejo naquela minha amiga casada há 15 anos e eu vejo na outra que procura alguém há outros 15. As pessoas vivem a vida toda nessa busca que não tem fim porque não tem começo, parece que nasce dentro da gente. Eu vejo em mim, vejo no meu namorado, vejo no namorado das outras e vejo nas outras que possivelmente gostariam de ter ou ser o meu namorado.</p>
<p style="text-align:justify;">A busca do outro, a busca do perfeito, a busca da metade, a busca do recíproco simétrico não é mais do que a busca do si, do que falta em você para que você seja completo. Mas ninguém nunca é completo já que somos movidos a ar e de tanto tentar encaixar amor nos buracos, acabamos parados.</p>
<p style="text-align:justify;">E não sou eu que vou levantar a bandeira contra o amor. Justo eu que só sei falar disso, que vivo pra isso e disso, justo eu que atravessei o mundo mais do que uma vez, que aceitei não viver a minha vida do jeito que eu achava ser o melhor pra mim, justo eu que personifico aquilo que projeto simplesmente pra acariciar meu desejo de ser o amor, em pessoa.</p>
<p style="text-align:justify;">Não vou maltratar o amor, porque o amor move tudo, o amor resolve tudo, o amor luta as lutas que eu não tenho coragem de lutar, o amor faz retratos tão bonitos e escreve poesias incríveis, o amor me dá material há anos para falar só dele, em tantas frases diferentes, sempre ele, como um mantra, e mesmo só me repetindo há anos, o amor faz parecer tudo novo, porque todo mundo continua na busca, no desespero, na corrida, na largada, no final do túnel, na outra metade da laranja, segurando a tampa de uma panela, do outro lado do telefone, o amor continua, o amor corre, corre, corre, o amor nunca chega, mas ele também nunca vai embora porque ele é onipresente e todo mundo deseja, almeja, reza tanto o amor o tempo todo. O amor é o Deus sem igreja, o amor tem diversos demônios em si, ciúme, traição, amor doença, amor dor.</p>
<p style="text-align:justify;">Ruim ou bom, longo ou curto, todo mundo precisa ou pensa que precisa de amor. E como o instinto é mais rápido que a razão, eu vou continuar entupindo minhas vias respiratórias de tudo o que tenha aquele cheiro, aquele gosto, aquela textura dele, do meu amor.</p>
<p style="text-align:justify;">Palavras são só palavras e a gente sabe que o amor existe, certo? Certo.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas não tem cura.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ranighazzaoui.wordpress.com/1474/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ranighazzaoui.wordpress.com/1474/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ranighazzaoui.wordpress.com/1474/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ranighazzaoui.wordpress.com/1474/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ranighazzaoui.wordpress.com/1474/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ranighazzaoui.wordpress.com/1474/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ranighazzaoui.wordpress.com/1474/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ranighazzaoui.wordpress.com/1474/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ranighazzaoui.wordpress.com/1474/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ranighazzaoui.wordpress.com/1474/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ranighazzaoui.wordpress.com/1474/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ranighazzaoui.wordpress.com/1474/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ranighazzaoui.wordpress.com/1474/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ranighazzaoui.wordpress.com/1474/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ranighazzaoui.wordpress.com&amp;blog=10937541&amp;post=1474&amp;subd=ranighazzaoui&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Não quero</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Oct 2010 00:00:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rani Ghazzaoui</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Vou ser breve. Breve porque quero, breve porque preciso, breve porque não me agüento mais chorando pelos cantos, porque não agüento mais sempre ser apontada como a sofredora, a guerreira, a sobrevivente. Afinal de contas, qual foi a guerra que eu entrei que eu não me lembro? Não me deram uniformes e nem fardas, não [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ranighazzaoui.wordpress.com&amp;blog=10937541&amp;post=1469&amp;subd=ranighazzaoui&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://ranighazzaoui.files.wordpress.com/2010/10/sfginq.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1470" title="sfginq" src="http://ranighazzaoui.files.wordpress.com/2010/10/sfginq.jpg?w=490&#038;h=367" alt="" width="490" height="367" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Vou ser breve.</p>
<p style="text-align:justify;">Breve porque quero, breve porque preciso, breve porque não me agüento mais chorando pelos cantos, porque não agüento mais sempre ser apontada como a sofredora, a guerreira, a sobrevivente. Afinal de contas, qual foi a guerra que eu entrei que eu não me lembro? Não me deram uniformes e nem fardas, não me ensinaram a atirar e a me esconder de granadas.</p>
<p style="text-align:justify;">Não quero mais guerra, quero paz.</p>
<p style="text-align:justify;">Quero acordar de manhã, ira pra praia e sentar na areia sem pensar em quem vou encontrar, no que vou dizer, em quem vai ser meu amigo naquele dia. Não quero mais saber de números, de pessoas repetidas, de forçar melhores amizades só pra não me sentir imensuravelmente sozinha. No fundo, afinal, todos somos sozinhos. Ninguém nunca vai me entender por completo porque só quem tem a capacidade de me completar sou eu, não quero mais buscar complemento em nada.</p>
<p style="text-align:justify;">Não quero que minhas palavras sejam mais fortes do que eu, que meus pensamentos me deixem o dia todo presa em um canto da casa só, maquinando na minha cabeça como a minha vida poderia ser boa se eu me deixasse viver. Não quero chegar aos trinta como cheguei aos vinte e cinco, pensando que não alcancei nada do que disse que queria, do que achava que queria, do que me faria ser aquela pessoa que meus pensamentos em círculos sempre me disseram que eu deveria ser pra que eu, finalmente então, pudesse ser livre. E feliz.</p>
<p style="text-align:justify;">Não quero mais usar minha licença poética só pra falar de sentimentos quebrados, minha habilidade de enfileirar as palavras só pra falar do que nem eu mesma agüento mais ouvir porque parece um cd riscado que há quase dez anos toca a mesma música do nascer ao pôr do sol.</p>
<p style="text-align:justify;">Não quero mais que a minha peculiaridade, a minha fragilidade e, principalmente a minha prolixidade me façam ser aquela que todo mundo vêm atrás de respostas mesmo sabendo que, não muito mais fundo do que a superfície, eu não tenho nenhuma. Não quero ser exemplo, não quero ser o que ninguém quer ser, não quero ter obrigação de ser o que eu não sou ou de achar que tenho que ser alguma coisa.</p>
<p style="text-align:justify;">Quero ser nada, pra poder ser tudo o que me der vontade.</p>
<p style="text-align:justify;">Não quero mais trilhas sonoras pré estabelecidas e conversas repetidas. Não quero mais meus moralismos, meus sexismos, minhas confusões de onde é que eu sento, de qual vai ser a minha opinião quando eu a mudo a todo dia. Não quero mais estar na festa e passar a festa toda olhando pros lados, esperando alguém dizer alguma coisa que faça sentido, esperando a felicidade das pessoas deixar de ser forçada e virar verdadeira.</p>
<p style="text-align:justify;">Não quero mais muitas coisas que, na verdade, nunca quis mas sempre vivi porque achava que eu precisava, que eu deveria. Não preciso, não devo, não quero.</p>
<p style="text-align:justify;">Não quero mais magoar quem me ama, a começar por mim mesma, não quero mais impor as minhas vontades quando eu não sei se quero mais tê-las. Não quero saber se vou te amar pra sempre, se vamos andar de mãos dadas quando as nossas estiverem enrugadas, não quero mais pensar na minha vida sem você, não quero mais pensar na minha vida com você, não quero pensar em carreira, em casamento ou em filhos, não quero pensar. Vou ser breve, me dê só um momento pra respirar. Não quero saber de mais nada.</p>
<p style="text-align:justify;">Quero silêncio.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ranighazzaoui.wordpress.com/1469/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ranighazzaoui.wordpress.com/1469/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ranighazzaoui.wordpress.com/1469/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ranighazzaoui.wordpress.com/1469/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ranighazzaoui.wordpress.com/1469/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ranighazzaoui.wordpress.com/1469/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ranighazzaoui.wordpress.com/1469/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ranighazzaoui.wordpress.com/1469/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ranighazzaoui.wordpress.com/1469/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ranighazzaoui.wordpress.com/1469/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ranighazzaoui.wordpress.com/1469/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ranighazzaoui.wordpress.com/1469/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ranighazzaoui.wordpress.com/1469/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ranighazzaoui.wordpress.com/1469/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ranighazzaoui.wordpress.com&amp;blog=10937541&amp;post=1469&amp;subd=ranighazzaoui&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Nossos</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Sep 2010 00:21:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rani Ghazzaoui</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[A cama deles ali, e ele deitado como quem não quer nada, como quem nada pensa, sereno, meio de lado, peito aberto pra lua e sonhos encaminhados pra alguma outra pessoa bem mais leve do que ela conseguia ser. Ele ali, deitado na cama deles, abraçado com seus travesseiros, olhos entre abertos e poucas preocupações. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ranighazzaoui.wordpress.com&amp;blog=10937541&amp;post=1455&amp;subd=ranighazzaoui&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://ranighazzaoui.files.wordpress.com/2010/09/fxax6e.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1456" title="fxax6e" src="http://ranighazzaoui.files.wordpress.com/2010/09/fxax6e.jpg?w=490&#038;h=327" alt="" width="490" height="327" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">A cama deles ali, e ele deitado como quem não quer nada, como quem nada pensa, sereno, meio de lado, peito aberto pra lua e sonhos encaminhados pra alguma outra pessoa bem mais leve do que ela conseguia ser. Ele ali, deitado na cama deles, abraçado com seus travesseiros, olhos entre abertos e poucas preocupações.</p>
<p style="text-align:justify;">Do outro lado estava ela. Rosto virado pra parede, ombros tensos, olhos marejados por não saber mais se tudo aquilo que ela tem mania de chamar pelo possessivo de dois, realmente ainda lhe pertencia. Ficava pensando se era assim mesmo, depois de muitos anos, que os casais se separavam naturalmente. Sem brigas, sem escândalos, sem outras pessoas e sem problemas fáceis de estipular um motivo, um limite, um porquê. A cama perfeita, o lençol esticadinho, ele tinha o espaço certo de se mexer com folga e ela já tinha se acostumado a dormir toda encolhida na vontade de suprir o abraço, a conchinha ou o chamego que há tanto tempo não vinham.</p>
<p style="text-align:justify;">Em poucos segundos ele adormecia e seu sono, junto com seus sonhos, iam para sempre mais longe, alavancados por cada um dos suspiros longos que ele suspirava ao dormir. Ela, muitos e muitos minutos depois, permanecia acordada, remoendo na sua cabeça todas as coisas que ela pudesse ter feito errado, matutando a noite toda se a culpa era dela.</p>
<p style="text-align:justify;">E os dias eram tão ocupados, ela nos compromissos dela, ele nos afazeres dele, que ficava ainda mais difícil de entender o quê ainda segurava os dois juntos todas as noites, ali naquela mesma cama tão quieta e tão barulhenta. Se ela conseguisse emudecer seus pensamentos por um segundo, igual faz o controle da TV, seria realmente o quarto mais pacífico do mundo, nenhum barulho, nenhuma voz, nenhum sussurro, nenhum gemido, nenhuma jura de amor, nenhuma briga, nenhum nada. Sua cabeça a mil por hora, barulhenta e seu quarto calmo, cheio de nada.</p>
<p style="text-align:justify;">Levantou da manha num impulso de gato, tão milimetricamente calculado que não esbarrou em nada, nem no silêncio. Vestia regatas, calcinha e meias. Vestiu calça jeans, casaco e botas. E foi embora.</p>
<p style="text-align:justify;">Na manhã seguinte, depois de ter andado por horas sem saber exatamente pra onde estava indo, começou a sentir o ar entrando em seus pulmões, a cabeça ficando mais leve, sem tantas idéias de culpa que por tanto tempo ela tinha acreditado que devessem ser dela. Na manhã seguinte, ele acordou com frio. Olhou pro lado e sua cama de lençol perfeitamente esticado estava fria. Olhou dentro do armário e percebeu que todas as coisas dela ficaram lá não porque ela pretendia voltar, mas sim pra mostrar pra ele que não são as roupas, os livros ou os corpos de alguém que fazem aquela pessoa presente. Ela já não estava lá há tanto tempo.</p>
<p style="text-align:justify;">Andou pela casa por vinte minutos. De um lado ao outro, meio atordoado. Sua cabeça começou a maquinar tantos pensamentos confusos, começaram a surgir, então, as dúvidas, as indagações, as sensações de culpa. Percebeu que estava sem ar.</p>
<p style="text-align:justify;">Duas horas no pronto socorro depois, voltou pra casa e decidiu que não mudaria nada de lugar, porque embora ela tivesse ido embora na madrugada, como gato, sua cabeça poderia esfriar e ela voltaria, ela tinha que voltar. Mas o que ele esqueceu de pensar é que quem a mandou embora foi ele mesmo. Sua cabeça barulhenta não a deixava mais trabalhar, pensar, sorrir ou dormir. E agora, andando sozinha o vento batia em seus cabelos e sua alma estava quieta. Ela não tinha medo do frio ou da falta de abraço porque percebeu que quando se está sozinha, se algum abraço vier vai ser surpresa boa. Ela gostou da idéia de não ir dormir ao lado de certezas ruins todas as noites.</p>
<p style="text-align:justify;">E o apartamento deles continuava sendo deles tanto no contrato, quanto na decoração e também dentro de cada armário e caixinha, onde ela deixou tudo aquilo que um dia foi dela mas que ela percebeu não precisar mais; percebeu que era nada mais que puro apego. O apartamento, a cama, os lençóis e os travesseiros deles, nossos, como sugere o pronome possessivo de dois e ele esperando que um dia ela voltasse.</p>
<p style="text-align:justify;">O que ele não entendeu, no final, é que pra ser nós há de se ser um, dois em um, e o egoísmo dele fez com que ela percebesse que valia mais a pena ser feliz sendo só. A prisão que ele vive hoje em dia foi responsável pela libertação que ela vive agora.</p>
<p style="text-align:justify;">E infelizmente, depois de tantos anos se sentindo culpada por tudo o que ela não fez, nesse exato momento culpa era a última coisa que ela sentia. Ele está preso, mas ela está viva. Sem culpa.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#ff3366;">Rani Ghazzaoui</span></strong></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ranighazzaoui.wordpress.com/1455/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ranighazzaoui.wordpress.com/1455/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ranighazzaoui.wordpress.com/1455/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ranighazzaoui.wordpress.com/1455/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ranighazzaoui.wordpress.com/1455/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ranighazzaoui.wordpress.com/1455/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ranighazzaoui.wordpress.com/1455/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ranighazzaoui.wordpress.com/1455/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ranighazzaoui.wordpress.com/1455/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ranighazzaoui.wordpress.com/1455/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ranighazzaoui.wordpress.com/1455/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ranighazzaoui.wordpress.com/1455/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ranighazzaoui.wordpress.com/1455/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ranighazzaoui.wordpress.com/1455/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ranighazzaoui.wordpress.com&amp;blog=10937541&amp;post=1455&amp;subd=ranighazzaoui&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O eu lírico e os culpados</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Aug 2010 09:41:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rani Ghazzaoui</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Quantos medos cabem dentro do coração de uma pessoa só? E dentro da cabeça? Quantas paranóias um indivíduo consegue, completamente sozinho, criar e cultivar tão fielmente que acaba por virar prisioneiro das suas próprias invenções, creditando a elas verdades que não existem? Toda mulher tem um pouco de psicopata, tem um pouco de louca. Toda [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ranighazzaoui.wordpress.com&amp;blog=10937541&amp;post=1424&amp;subd=ranighazzaoui&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://ranighazzaoui.files.wordpress.com/2010/08/fxax6e.jpg"></a></p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://ranighazzaoui.files.wordpress.com/2010/08/25guqom.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1427" title="25guqom" src="http://ranighazzaoui.files.wordpress.com/2010/08/25guqom.jpg?w=490&#038;h=325" alt="" width="490" height="325" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Quantos medos cabem dentro do coração de uma pessoa só? E dentro da cabeça? Quantas paranóias um indivíduo consegue, completamente sozinho, criar e cultivar tão fielmente que acaba por virar prisioneiro das suas próprias invenções, creditando a elas verdades que não existem?</p>
<p style="text-align:justify;">Toda mulher tem um pouco de psicopata, tem um pouco de louca. Toda mulher acha que seus problemas são cíclicos e passa noites em claro tentando achar em traumas do passado a resposta pra pergunta que ela passa dias inteiros repetindo sem resposta nenhuma chegar à galope. Respostas para perguntas criadas por você mesma, que resolveriam aquele problema sério que você mesma inventou, nunca vêm porque não existe ninguém no mundo além de você mesma que seria capaz de inventar tais respostas. A equação e a solução em você, mas você sempre muito complicada pra descomplicar. Você equação do segundo grau, com cálculo de logaritmo e sem calculadora nenhuma ao alcance. Nem você se alcança de tanto que corre por aí procurando resposta pra tudo quanto é coisa.</p>
<p style="text-align:justify;"> Todas as mulheres que moram dentro de mim – e delas eu posso dizer –, nas nuances das minhas trocas de humor e na rápida transição de estilo nas minhas trocas de roupa, têm em comum a coisa mais incomum do mundo: a minha loucura exata. Exata porque enquanto enlouqueço é como se houvesse fora de mim outro eu, que de lírico não tem nada já que passa todos os minutos (ou horas) da minha psicose analisando tudo racionalmente enquanto dentro pode ser raiva fervendo, sangue borbulhando, pulmões cheios, amor brotando, cabeça confusa, coração hiperventilando.</p>
<p style="text-align:justify;">Você diz que é falta do que fazer ou que é muito tempo para pensar. E eu acho engraçado você fingir que a razão é simples assim simplesmente porque você não é capaz de entender; impossível julgar o que não se entende. Acontece que não é exatamente o que eu faço no meu dia que determina quando eu vou deixar de ser eu pra me tornar uma delas, não é porque você merece que eu morra de ciúme que eu respiro rápido todo o ar ao seu redor no minuto em que você chega só pra farejar em que ares andou você, não é porque eu acho que você se compara a tudo o que já passou que acabo te dando o mesmo tratamento de quem só merece ser destratado por mim. Se fosse simples, e se eu soubesse explicar o porquê de tantos detalhes, eu pegaria a sua mão e enrolaria ela em volta da minha cintura pra sempre porque as neuroses todas saem de uma porta que existe no meu teto e todas elas têm a ver com a minha neurose máxima, que é perder você pra sempre.</p>
<p style="text-align:justify;">E aquele dia que eu acordei chorando porque sonhei com o que eu nem queria dizer, eu chorei porque entendi que não eram as outras pessoas que nos ameaçavam, não eram os seus sentimentos que poderiam mudar do dia pra noite e me deixar de supetão, não eram as outras mulheres, os outros homens ou qualquer uma das outras todas possíveis razões. Aquele dia eu chorei soluçando profundo e te abracei tão forte que quase te prendi o ar porque eu percebi que não são as outras coisas, as outras pessoas e nem nada que esteja nesse mundo concretizado. Chorei mais porque as frases se repetem, os parágrafos aumentam e o texto fica a cada minuto mais longo sem eu conseguir admitir pro espelho que não posso apontar dedos de culpa pra ninguém fora do meu próprio espelho. E afinal, me diga, quem é capaz de me salvar de mim?</p>
<p style="text-align:justify;">Não sei quantos medos ou quantas pessoas diferentes vivem ou cabem dentro de mim. Não sei porque eles teimam em ficar mesmo quando eu penso que está tudo resolvido e não sei porque vão embora quando eu acho que está faltando inspiração na minha poesia e um bocadinho de loucura não me faria mal. Não sei se um dia você e todas as outras pessoas vão cansar de todas as mentiras que eu repito de jeitos diferentes há tantos anos pra não perder o meu quinhão de atenção. Não sei explicar essa minha necessidade de tanto me explicar pros outros, que é pra ver se um dia eu me aceito e aceito que por mais que eu sonhe em ser perfeita as minhas imperfeições são exatamente o que fazem de mim uma pessoa que não tem iguais. E o mais engraçado da minha paranóia é que meu maior pavor é justamente esse, de acabar um dia sentada no alto das minhas análises e dos meus medos exatos, vendo de lá de cima da minha crise esculpida à mão você indo embora com alguém absolutamente comum e descomplicadamente normal.</p>
<p style="text-align:justify;">Não são as outras pessoas, não é o que elas possivelmente têm e eu não, não é questão de beleza, não faz relação com o amor que eu sinto, não é uma ofensa à minha inteligência, não diz respeito à minha auto-estima, não é você, não é o que você me diz e nem o que eu ouço. Às vezes a gente não quer encarar a solução de frente, e aceitar que a melhor solução pra um relacionamento disfuncional é terminar tudo pelo bem de todos.</p>
<p style="text-align:justify;">A resposta pra minha crise eterna (e interna) não vai sair de nada, de ninguém, nem de nenhum lugar e vou ser obrigada a usar o clichê de todos os finais e dar um pé na minha própria bunda confusa, lírica e existencialista, para aprender que pensar demais não é defeito, mas pensar demais no que não existe – e logo, não tem solução – é burrice:</p>
<p style="text-align:justify;">– Rani, o problema não é você, sou eu. Vê se trata de ser feliz.</p>
<p style="text-align:justify;"> <strong><span style="color:#ff3366;">Rani Ghazzaoui</span></strong></p>
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		<title>Quem é ela?</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Aug 2010 04:25:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rani Ghazzaoui</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[As pessoas falam de vida, de problemas, de amores com a propriedade que só cabe àqueles que são os únicos que sabem de alguma coisa. Desde que eu tenho pouco mais de treze anos, entra ano e sai ano e eu visto a carapuça dessa pessoa que conta com tantos detalhes as batalhas tão duras [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ranighazzaoui.wordpress.com&amp;blog=10937541&amp;post=1410&amp;subd=ranighazzaoui&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://ranighazzaoui.files.wordpress.com/2010/08/2ce1deg.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1411" title="2ce1deg" src="http://ranighazzaoui.files.wordpress.com/2010/08/2ce1deg.jpg?w=490&#038;h=333" alt="" width="490" height="333" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">As pessoas falam de vida, de problemas, de amores com a propriedade que só cabe àqueles que são os únicos que sabem de alguma coisa. Desde que eu tenho pouco mais de treze anos, entra ano e sai ano e eu visto a carapuça dessa pessoa que conta com tantos detalhes as batalhas tão duras da sua própria vida que faz, até, com que as outras pessoas acreditem nela. O sofredor, na realidade, é um mentiroso que precisa desesperadamente de atenção. Resolvi ser publicitária porque achei que seria bacana também mentir por profissão então, e passei os quatro anos de faculdade mentindo que a parte da profissão que mais me incomodava era mentir para os outros.</p>
<p style="text-align:justify;">É isso, sendo bem direta, que quero contar pra você. O meu amor por você é a coisa mais verdadeira que já aconteceu na minha vida e por isso mesmo eu passo dia após dia me policiando pra não cair em contradição com aquela mulher por quem você se apaixonou, já que ela era uma mentirosa, mas você não faz a menor idéia. Ou faz? Já não sei muito bem em que degrau dessa escadaria pra verdade você está e isso me deixa mais acordada ainda, olhando ao meu redor o tempo todo, esperando o momento em que você vai olhar pra minha cara e me contar que não me conhece.</p>
<p style="text-align:justify;">Foram anos, muitos anos, moldando a minha personalidade pra ser exatamente do jeito que eu achava que uma mulher incrível devia ser. E se por todo esse tempo eu não deixei ninguém se aproximar demais de mim, é porque eu sempre soube que a pessoa que deitava na minha cama à noite era completamente diferente daquela outra que acordava de manhã. Eu não estava pronta, eu não era pronta, a minha prontidão, a minha articulação e o meu desprendimento de tudo e todos não passavam do meu escudo pra não voltar a ser a menina magrela, de óculos e cabelo armado da quinta série, aquela que todo mundo queria ser amigo porque ela era engraçada e inteligente, mas ninguém podia porque, aos 11 anos, ela ainda não tinha nem seios e nem malícia.</p>
<p style="text-align:justify;">Foi por querer vingar a minha adolescente que sofreu tanto <em>bulling</em> que eu criei a personagem que me levou de lá pra cá, a tantos lugares, por vários anos. Só que essa mulher, a vingativa, passou por lugares que eu não quero que você saiba, porque você é o meu respiro de ser aquilo que eu não sou, só para ser alguém. Você – desde o primeiro dia – olhou pra mim e enxergou quem eu era.</p>
<p style="text-align:justify;">E quando eu rio e falo que você não sabe da missa a metade, que você acha que sabe de tudo, mas que perderia as contas se tentasse contar meus erros, que a minha malícia e maldade vieram em doses de pinguço quando resolveram aparecer depois de tanto tempo sendo apontadas como inexistentes por aquelas crianças malvadas, aquelas meninas peitudas que hoje são todas jovens mulheres de 25 anos com os peitos caídos, eu não sei exatamente se quero que você acredite no que eu estou falando ou se quero que você continue me abraçando segurando o riso pra depois beijar minha testa e falar “Ai, amor, como você é mentirosinha.”. A minha vontade às vezes é falar que sim, que sou mesmo, que eu não tive outra escolha porque esse mundo não entrega escolhas de bandeja para as pessoas que acreditam que ser só bom serve. Mas o seu “mentirosinha” – no diminutivo como você fala todas as palavras quando quer conferir a elas caráter feminino ou de carinho – não carrega nele o fardo que eu quero compartilhar com você.</p>
<p style="text-align:justify;">Tem dias que eu sonho com coisas que você não sabe, com coisas que nem eu sei se realmente foram ou se eu criei. Aí eu acordo e quero ouvir o “mentirosinha” pra eu ainda acreditar que, agora, eu posso de novo ser a menina que, ao invés de ter ficado grávida na sexta série, escrevia diários com histórias que não eram dela, na esperança que algum dia eles fossem publicados e chamados de “romances”.</p>
<p style="text-align:justify;">Ontem, vendo o caso de uma mulher que viveu a vida toda carregando um tumor no rosto, eu ouvi ela dizer que hoje em dia ela já não se importava mais, que ela conseguia ser feliz sendo exatamente quem ela era. Não, a minha adolescente pouco entendida não é o meu tumor, ela é minha cura. O tumor são as pessoas mesquinhas que passam pela vida da gente, que com aquela mania eterna de projetar nos outros todos os medos que eles têm para si próprios acabam mudando a nossa vida (mesmo que por um determinado período de tempo, nada é eterno, afinal.) pra pior.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas eu agradeço. Sem eles eu não seria sarcástica, eu não saberia ler tão bem as pessoas e, com certeza, hoje em dia eu continuaria sendo machucada diariamente, como uma tonta, sem saber me defender. Minhas mentiras foram meu escudo, minha defesa, minha casa no meio da bagunça e sim, eu fiquei meio bagunçada com elas e não são os meus 24 anos, mas sim essa angústia de descobrir de novo quem sou eu de verdade que anda deixando minha vida tão maluca.</p>
<p style="text-align:justify;">As pessoas falam de vida, de problemas, de amores com a propriedade que só cabe àqueles que são os únicos que sabem de alguma coisa. Mas problemas todo mundo têm, todo mundo sempre vai ter. Hoje eu aprendi que ser quem eu sou – seja lá quem for – não é um problema e, muito menos uma solução pra nada na minha vida. E, além de tudo isso, eu entendi, olhando pra dentro, pra fora, pros lados e pra você que eu posso ser quem eu quiser porque quando você é uma pessoa que pensa, que ama e que odeia, mudar é preciso, é permitido e, no balanço final da vida, a mudança não caracteriza nenhuma pessoa como mentirosa.</p>
<p style="text-align:justify;">Não sou, nunca fui e não quero ser santa. Me recuso, entretanto, a fazer parte do mal, independente do que mal seja. Vou continuar falando palavrão, me apaixonado e enchendo a casa de corações de papel, maltratando minha mãe às vezes e depois me sentindo escrota e injusta, ainda vou fazer muitos amigos errados,  vou viajar quilômetros por amor aos meus irmãos, aos meus amores. Vou ser assim porque, na verdade, eu já sou tudo isso. Tá tudo errado e tá tudo certo. Tá tudo mudando e tá tudo bem. No final da vida, como eu já disse outras vezes, quero ter um colar de pérolas minhas pra mostrar pros meus netos e, olha só, às vezes eu quero tê-los (os netos), outras não. Daqui há pouco tudo muda, mas eu ainda vou querer estar com você porque, é fato, você me mudou.</p>
<p style="text-align:justify;">Vem cá amor, me chama de “mentirosinha”.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#ff3366;">Rani Ghazzaoui</span></strong></p>
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